Grupo dirigido pela Acadêmica Cleide Campelo

 apresenta nova performance

 

Dia 30 de Julho, quinta-feira, às 20 horas, na Oficina Cultural Regional Grande Otelo, de Sorocaba, o grupo Tutu-Marambá, Pesquisas das Artes do Corpo, comemora um ano de trabalho com a apresentação seu novo trabalho, a performance “Velhas Notícias de Tutu-MarambOnça: Inscrições”, com concepção e direção da Acadêmica Cleide Riva Campelo. O grupo Tutu-Marambá, formado pelos artistas/pesquisadores Alexandre Ventris, Esdras Nuño, Ibraim Ramos, Fabíola Sydow, Flávio Queiroz, Juliana Campeão, Paulo Farias, Quitéria Maria, Marcelo Plácido, Reginaldo Passos, e Rosaura Mello, conta com a participação de Rolando Beltram, na coordenação do som; Marcos Ivers, no backstage;  fotógrafos Nilze de Campos, Tiago Macambira, e Beto Rocha (fotografia e vídeo); e  Pedro Aduan (língua e cultura japonesa).

A performance que será apresentada dia 30 de Julho constitui-se de três partes: uma primeira Instalação no saguão de entrada da Oficina Grande Otelo, intitulada “Magnífica Desolação Verde”, um olhar projetado no futuro mais longínquo, quando a Terra provavelmente não mais será habitada. A trilha sonora desta primeira parte é de Luciano Berio (a primeira parte de sua Sinfonia, de 1958, feito a partir de uma série de fragmentos do livro “O Cru E O Cozido”, de Lévi-Strauss, exatamente da parte em que o autor analisa a estrutura de mitos indígenas brasileiros); e da ópera rock Tommy (música Welcome), escrita por Pete Townshend  e grupo The Who.

A segunda parte é a instalação “Ecocriaturas”, um olhar projetado no mais distante passado, exatamente nos fósseis de Burgess Shale, do Canadá, que, segundo o paleontólogo Stephen Jay Gould, “são a única fonte ampla e bem documentada sobre um dos acontecimentos mais cruciais da história da vida animal: o primeiro florescimento da explosão cambriana”. Assim, as “Ecocriaturas” estabelecem um diálogo semiótico entre o passado e o futuro mais distante, e conduzem o público ao salão principal, ao tempo presente, tempo que o mito torna presente, onde as culturas arcaicas diversas tecem novos jogos da cultura.

Essa é a terceira parte do trabalho intitulada “Velhas Notícias de Tutu-MarambOnça: Inscrições”, onde a pele dos performers se mescla com a pela da onça malhada brasileira, e novas histórias transformam-se nas velhas inscrições que o tempo vai imprimindo na memória. Aqui, busca-se um resgate da memória corporal, num trabalho de busca arqueológica das inscrições já quase perdidas de nossa própria história.

A entrada é gratuita.

Titular da Cadeira nº 21 da Academia, que tem como Patrono Mário de Andrade, Cleide Riva Campelo é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUCSP.

A proposta deste sétimo trabalho do grupo Tutu-Marambá continua na trilha dos estudos da Performance como Linguagem Cênica, com a investigação de culturas arcaicas (o conhecimento mantido pela tradição milenar de diversos povos, em especial dos povos indígenas brasileiros e do Japão) e das mídias (de como as notícias nos chegam atualmente  e vão se transformando em novos mitos), bem como no estudo das artes do corpo, em especial a dança, a arte da caligrafia e a pintura corporal.