Academia cria cadeira voltada para o estudo da História Paulista

 

Comemorando os 70 anos da eleição do escritor Afonso d’Escragnolle Taunay para a Academia Brasileira de Letras, a Academia Sorocabana de Letras instituiu uma Cadeira que terá o seu nome e deverá priorizar os estudos históricos relativos aos múltiplos aspectos da  formação e civilização paulista.

 

Afonso Taunay nasceu em Florianópolis em 1876, no Palácio sede do Governo Provincial, filho do então Presidente da Província de Santa Catarina, Alfredo d'Escragnolle Taunay e Cristina Teixeira Leite, visconde e viscondessa de Taunay.

Formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, no ano de 1900. Atuou como professor na Escola Politécnica de São Paulo no período de 1904 a 1910. Foi diretor do Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga), entre 1917 e 1939. Reorganizou a Biblioteca e o Arquivo do Ministério das Relações Exteriores em 1930. De 1934 a 1937, atuou como professor na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo.

Durante sua longa passagem pela direção do Museu Paulista, criou, como extensão dele, o Museu Republicano de Itu, inaugurado pelo Presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís, em 1923 e apoiou a construção, pelo governo estadual, do Parque das Monções, em Porto Feliz, inaugurado pelo Presidente Altino Arantes em 1920. Uniu seus conhecimentos de engenharia e história para construir a famosa maquete da cidade de São Paulo em 1822.

Sua atuação no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, na Academia Paulista de Letras, na Academia Portuguesa de História e como correspondente de Institutos Históricos estaduais, possibilitou a Afonso Taunay grande dedicação aos estudos historiográficos, especialmente ao bandeirismo paulista, ao período colonial brasileiro e à literatura, ciência e arte do Brasil. Teve destaque também como lexicógrafo especializando-se sobretudo na terminologia científica.

Publicou 113 obras, entre as quais a História geral das bandeiras paulistas, 11 vols. (1924-1950); História seiscentista da vila de São Paulo, 4 vols. (1926-1929) e História do café no Brasil, 11 vols. (1929-1941).

Na Academia Brasileira de Letras, sucedeu o sócio fundador Luís Murat, instituidor da Cadeira nº 1, que tem como Patrono Adelino Fontoura.Foi recebido na instituição em 6 de maio de 1930 pelo acadêmico Edgar Roquette-Pinto.

Na Academia Sorocabana de Letras, a Cadeira que leva o nome do historiador das bandeiras paulistas e da cidade de São Paulo terá o nº 34 e substitui aquela, instituída pelo saudoso musicólogo Abel Cardoso Júnior, que tinha como Patrono Olegário Mariano.

A criação da nova Cadeira é, também, uma maneira de a Academia Sorocabana ressaltar a condição única do trabalho de musicologia e história da música brasileira realizada pelo saudoso acadêmico Abel Cardoso Júnior, que a instituiu e foi seu ocupante até sua morte, em 2003.

Documenta, ainda, o pesar da Academia pela dispersão do banco de dados sobre a MPB das décadas de 1920 a 1940, que Abel Cardoso Júnior organizou, ao longo da vida, em sua residência e que se tornou um centro de referência obrigatório para os pesquisadores de música brasileira de todo o País.

                                                                                                                            Janeiro 2009